Há algum tempo as empresas passaram a desacreditar no planejamento estratégico, em muitas organizações o departamento foi extinto. Alem de dedicar muito tempo e energia ao processo, a forma como vem sendo feito está se mostrando uma barreira à boa tomada de decisões. Na edição da HSM desse mês recebemos de presente um excelente artigo escrito por Keith McFarland, fundador e consultor da McFarland Strategy Partners e escritor do livro Empresa Extraordinária.
O que McFarland fez foi aplicar alguns conceitos dos programadores que desenvolvem softwares na construção de uma nova forma de realizar o planejamento estratégico. O processo de desenvolvimento de softwares é bastante similar, demanda soluções rápidas e a integração de sistemas cada vez mais robustos. É intrigante e também foi bem colocado pelo autor o fato de que enquanto os desenvolvedores de softwares repensaram o sistema e desenvolveram o Extreme Programing (XP) um processo de desenvolvimento rápido de aplicações, os formuladores de estratégias se dividiram entre os que desistiram da criação de estratégias e os que nada mudaram.
Na formulação do modelo de planejamento estratégico é preciso falar sobre 3 tópicos importantes:
• Modelo de Planejamento em Espiral
• Organizar em torno de Pessoas
• Não Há Fórmula Mágica
Vamos analisar cada um deles:
Modelo de Planejamento em Espiral
Segundo o autor, uma abordagem em espiral reconhece que as estratégias são mais efetivas quando a formulação e a implementação andam de mãos dadas, se as pessoas focarem uma vez por ano aquilo que conduz os negócios, as idéias estratégicas evoluirão de forma muito lenta, em dissonância com a velocidade do mercado. A abordagem diminui o abismo entre a estratégia e sua implementação. Em suma, o que precisa ser feito é um processo onde se possa reunir os tópicos em questão e lidar com eles, assim a estratégia não fica desatualizada.
Organizar em torno de Pessoas
Hoje o planejamento estratégico continua sendo determinado pelo topo, e as decisões, sendo tomadas por executivos que possuem altos cargos e salários mais altos ainda. Para McFarland, a melhor maneira de levar as pessoas da linha de frente e intermediária a compreender e abraçar a estratégia é envolvê-las em sua criação, ou seja, um dos pilares do Planejamento estratégico 2.0 seria o envolvimento de mais pessoas na elaboração do Plano. É imprescindível compreender que em um modelo em espiral, o mais valioso aprendizado ocorre quando as pessoas da linha de frente participam da formulação da estratégia e tentam executa-la.
Não Há Fórmula Mágica
Por último mas não menos importante, o autor diz que é necessário parar de procurar vantagens sustentáveis no longo prazo e criá-las em bases constantes. Como os desenvolvedores de softwares, estrategistas devem aprender a adicionar novos aspectos estratégicos (capacidades, idéias e ferramentas) de modo incremental.
O modelo de Planejamento Estratégico 2.0:
Basicamente ele é composto por quatro fases:
1. Definição dos Temas Estratégicos Imprescindíveis
Onde todos os participantes irão pensar quais momentos estratégicos a empresa esta vivendo e quais deles são imprescindíveis de serem abordados no planejamento. Nessa primeira etapa, o grupo formado por pessoas de todas as divisões irão determinar os temas estratégicos mais importantes para a empresa no momento.
2. Atualização do Pensamento Estratégico
Nessa fase, a empresa precisa atualizar seu pensamento estratégico dentro das áreas estratégicas determinadas anteriormente como imprescindíveis. O aprendizado mais importante acontece quando as pessoas circulam entre a formulação da estratégia e a implementação, testando suas hipóteses estratégicas com o que estão aprendendo na prática. Mesmo as idéias que parecem acertar diretamente o alvo têm de ser modeladas e remodeladas para refletir a realidade do mercado. No final de cada planejamento, os participantes criam e priorizam um conjunto de iniciativas estratégicas especificas e mensuráveis que poderiam fazer evoluir cada tema estratégico.
É então construído um plano de ação detalhado definindo os resultados mensuráveis que podem ser atingidos dentro dos próximos 90 dias.
3. Avaliação do Desempenho
Depois da segunda fase, o grupo passa a se reunir trimestralmente, por um dia, para avaliar o desempenho da empresa em comparação com os planos de ação do trimestre anterior. Os membros precisam identificar o que de mais importante aprenderão sobre a estratégia da organização desde o encontro anterior e sugerir como tais insights podem ser integrados a estratégia que esta em andamento.
Com esses insights é definido o plano de ação para o período seguinte.
4. Revisão Anual
Alem das três fases, o grupo precisa se reunir uma vez por ano, por aproximadamente três dias, para dar um passo atrás e revisar as definições estratégicas.
O processo de planejamento estratégico proposto pelo autor, se mostra flexível, participativo e com alto poder de execução, muito mais adaptado à realidade das empresas.


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