Planejamento. O que é isso?

 

O planejamento estratégico está em colapso. Muitos executivos não acreditam mais nessa ferramenta. Será de se estranhar?

Vamos estender o ‘planejamento estratégico’ para o âmbito da gestão. Tentemos pensar em uma grande inovação, que tenha mudado a forma como vivemos e que tenha ocorrido nos últimos 30 anos. Difícil não é?

Eis aonde reside o problema. Estamos tratando de aperfeiçoar sistemas antigos, criados há décadas, limitados a idéias de Daniel McCallum, Frederick Winslow Taylor, Max Weber, Chester Bamard, W. Edwards Deming, Peter Drucker e nos demais “gurus da modernidade”.

Hamel nos mostra que a gestão moderna também detém o condão de fazer com que pessoas criativas, dogmáticas e de espírito livre adaptem-se à condições e regras, impondo disciplina às operações, ao passo que coloca em risco a adaptabilidade organizacional, multiplica o poder aquisitivo dos consumidores do mundo todo, mas também escraviza milhões em organizações hierárquicas quase feudais.

Não é de se estranhar então, que um artigo produzido por Michael C. Mankins e Richard Steele, para a “Harvard Business Review”, mostre relatos de executivos se perguntando se o planejamento estratégico tornou-se totalmente inútil. A pesquisa, feita com 156 grandes empresas, mostra que estas tomam apenas 2,5 decisões realmente importantes ao ano. Isso acontece porque os executivos não conseguem tomar decisões com a agilidade, a rapidez e a necessidade do mundo corporativo. A realidade das organizações mudou, o mundo mudou, a forma das pessoas pensarem mudou, mas a gestão continua a mesma de anos atrás.

Lembro um comentário feito por Gary Hamel em que ele diz que poderíamos imaginar Frederick Taylor olhando de seu paraíso bem organizado, e sorrindo afetuosamente para os seguidores do “Seis Sigma”, que continuam a espalhar sua mensagem. A única surpresa que Taylor teria hoje seria o fato de que os gestores do século XXI continuam atormentados pelos mesmos problemas que ocuparam sua mente inovadora cem anos antes. Poucos rituais de gestão que ocorrem hoje mudaram em relação aos que comandavam a vida corporativa há uma ou duas gerações.

Hamel nos dá uma brilhante explicação do que impede o rendimento das organizações, deixando claro que não é o modelo de planejamento estratégico ou de negócios, não é o modelo operacional ou a forma das decisões tomadas, mas, sim, o “modelo de gestão”.

E a sua empresa, já parou para pensar em como você montou seu modelo de gestão?

7 comentários sobre “Planejamento. O que é isso?

  1. Vinicius,

    O taylorismo é tão atual quanto era há cem anos. O que é a visão de produtividade senão racionalizar. Só que além de processos, recursos.

    Continue investigando e escrevendo. Fazendo a gente pensar, que isso é prá lá de bom!

  2. Marcia,

    O taylorismo continua sendo praticado e não podemos abrir mão de seus métodos, de fato, a máquina da gestão moderna que abrange análise de varições, orçamento de capital, avaliação de funcionarios, planejamento estratégico etc.. estão entre uma das maiores invenções da humanidade, não estaríamos vivendo da mesma forma se não fosse por essas grandes mentes como Taylor. Seus métodos precisam continuar sendo utilizados, o problema é que as novas realidades exigem novos recursos gerenciais e empresariais. Para prosperar em um mundo progressivamente inovador, acredito que as empresas terão de ser tão estrategicamente adaptáveis como são operacionalmente eficientes (taylor).

  3. Grande Vinícius,

    Você está se saindo um excelente aluno de Administração, as organizações serão melhor conduzidas por profissionais como você, que busca outras formas de administrar.

    Para complementar o teu texto, infelizmente hoje em dia as empresas ainda adotam princípios da Administração Científica, que ao meu ver engessa muito as organizações, lembrando, Taylor propôs quatro princípios:

    1) Princípio do planejamento
    2) Princípio da preparação dos trabalhadores
    3) Princípio do controle
    4) Princípio da execução

    Infelizmente Taylor não pensou sobre outras formas de adminsitração, como por exemplo o princípio da criatividade e o da inovação.

    Precisamos considerar outras teorias e outros autores, posso citar por exemplo Joseph Alois Schumpeter, considerado o pai do pensamento econômico e um dos pais da Inovação.

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