Organizações Caórdicas, e um desabafo.

O livro que me inspirou a iniciar meus estudos em Coaching foi o livro do Dee Hock, fundador da VISA, chamado “Nascimento da era Caórdica”. O livro apresenta uma visão futurística, uma premonição paradoxal face a incontestável insustentabilidade do sistema atual que vem se apresentando desde o início da revolução industrial.
As instituições mecanicistas baseadas nas estruturas de comando e controle da era industrial dominaram durante quatro séculos o funcionamento das sociedades, determinando a vida econômica, social, cultural, política e demais áreas do conhecimento. Neste início de terceiro milênio, observamos um movimento crescente da diversidade e complexidade das sociedades em todo o mundo e parece estar brotando um consenso de que a atual estrutura hierarquizada de poder das organizações está bem próxima de atingir seu nível de saturação, onde não mais conseguirão cumprir seus objetivos e permanecerão crescendo, consumindo recursos, devastando o meio ambiente e limitando cada vez mais o ser humano. Segundo Dee Hock, as taxas de extermínio da vida na Terra adquiriram proporções calamitosas: a cada hora, 210 espécies desaparecem da face da Terra, 6.700 acres de florestas virgens são devastadas, três milhões de toneladas de solo arável são destruídos e, o maior agravante, 1.200 crianças morrem de fome. E estes são dados da década de 90, quando ele fez esse alerta. Ou seja, mesmo com toda evolução científica e tecnológica, a racionalidade mecanicista da nossa sociedade está produzindo uma catástrofe coletiva sem precedentes.

Em suma, ele projeta um futuro para as organizações fundamentado em princípios caórdicos – organizações autogovernadas que combinariam de forma harmoniosa o caos e a ordem, a competição e a cooperação. Princípios lapidados ao longo de sua vida e postos em prática quando ele fundou a VISA Internacional, um dos maiores empreendimentos do setor de cartões de crédito do mundo, cuja estrutura transcende fronteiras, culturas e diferentes sistemas monetários. Uma corporação com poder descentralizado entre vinte e dois mil bancos-membros que conseguem ao mesmo tempo cooperar e competir entre si, atendendo cerca de setecentos milhões de clientes espelhados pelas mais diversas nações do planeta e cumprindo transações de mais de um trilhão de dólares anuais.

Mas por quais questões esse livro me levou a escolher o coaching como profissão? Ao analisar os conceitos de uma organização caórdica, pode-se entender:

– “Nas ORGANIZAÇÕESverdadeiramente caórdicas não há um destino. Não há um ser supremo. Há só o vir-a-ser.”

“COMUNIDADE não tem relação com lucro. Tem relação com benefício. Confundi-los é um risco. Quando tentamos monetizar todo o valor, desunimos metodicamente as pessoas e destruímos a comunidade.”

“É da verdadeira LIDERANÇA, liderança de todos, liderança dentro, em cima, em volta e embaixo que
este mundo tanto precisa, mas infelizmente é uma administração dominadora o que consegue.”

“Se estiver interessado em INOVAÇÕES RADICAIS no modelo empresarial, que minam a concentração de poder nas mãos de poucos e permitem contínua inovação, criatividade e crescimento nos negócios, você vai ver a VISA como uma das mais importantes organizações da segunda metade do século passado.” Peter Senge

Trata-se então de organizações cujos relacionamentos de seus integrantes, a liderança e principalmente a comunicação efetiva entre os mesmos é fundamental. E é aí onde entra o coach organizacional. Minha grande paixão.

Imaginem meu desespero ao chegar no trabalho e receber um e-mail com uma advertência por ter saído 3 minutos mais cedo depois de quase 2 horas de ócio naqueles dias onde tudo o que podia ser feito já foi e se espera o horário de saída do sistema semi-escravista para que se possa produzir alguma coisa novamente fora dali.

É um dos meus grandes medos, a outra possibilidade também apresentada por Dee Hock, que diz que Infelizmente, à frente há também a possibilidade do colapso institucional, de um enorme massacre social e da regressão àquela manifestação suprema dos conceitos de organização mecanicistas e newtonianos – a ditadura – que, por sua vez, teria de entrar em colapso à custa de um massacre ainda maior antes que as instituições caórdicas pudessem emergir.
Qual caminho iremos seguir? Seja lá qual for, estou disposto a lutar por organizações descentralizadas, não controladoras, sinérgicas, efetivas, flexíveis e duradouras. Onde seus membros vivem no estado de AMOR e não controlados pelo MEDO. Onde pessoas trabalham felizes.

Reflitam em paz.

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