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Os guardiões do conhecimento

Vivo escrevendo sobre aprendizagem, novas formas de fazer as coisas, coaching etc. Hoje quando estava na minha corrida matinal, vi uma mae ensinando seu filhinho a atravessar a rua, percebi a forma como ele observava o desafio, com olhar desconfiado olhando para mãe, a mãozinha apertada segurando sua mão e o olhar curioso para a rua e para o desafio a enfrentar. Vendo isso isso resolvi escrever hoje sobre como funciona o processo de aprendizagem. Em seu livro Metamanagement Fredy Kofman declara que as situações de aprendizado costumam começar com emoções difíceis e chama essas situações de “guardiões da porta” do aprendizado. Tal como o menino que precisa ter coragem para atravessar a rua e conhecer essa nova distinção, quem se assusta com eles e se retira jamais alcançará o conhecimento, somente quem os enfrenta com coragem e determinação se faz merecedor dos segredos que eles guardam, vamos falar um pouco mais sobre esses guardiões apresentados por Fredy.

  1. A cegueira (a respeito da própria incompetência). Não existe a menor possibilidade de aprendermos algo novo, sem termos consciência de não sabermos. O cego é aquele que não sabe que não sabe e portanto está preso na ilusão de que não tem nada para aprender.
  2. O medo (de declara sua ignorância). O medo de assumir que não-sabe  afeta nossa auto-estima por revelar áreas de ignorância. As vezes preferimos sofrer (e causar sofrimento) a admitir nossa necessidade de aprender.
  3. A vergonha (de mostrar incompetência). O medo do ridículo também é um guardião do aprendizado, já diria o ditado, é errando que se aprende. Quando não nos permitimos errar, acabamos abandonando o caminho do conhecimento, gosto muito de lembrar da frase de Friedrich Nietzsche que dizia, tudo aquilo que não me mata, me fortalece.
  4. A tentação (de se considerar vítima). Quando nos fazemos de vítima nos mantemos confortáveis, pois não somos parte do problema. Porém não sendo parte do problema também faz com que não sejamos parte da solução. Colocando o problema lá fora, nos vemos livre da necessidade de aprender. Não podemos esquecer que somos responsáveis por TUDO o que nos acontece, direta ou indiretamente.
  5. O orgulho (que impede de pedir ajuda e instrução). Pois ao pedir ajuda, reconhecemos nossa necessidade, e reconhecemos nossa ignorância no assunto. Implica ceder autonomia a alguém. As pessoas que baseiam seu orgulho pessoal na ilusão de onipotência e independência caem na armadilha desse guardião.
  6. A arrogância (de acreditar que já sabe). Sem humildade é impossível reconhecer as necessidades de melhora. É aquele gerente que acredita já saber tudo. Como diz o velho ditado dos índios navajos, é impossível despertar um homem que finge estar dormindo.
  7. A preguiça (de praticar com diligencia). No Pain, No Gain aprender é uma tarefa que exige disciplina, os preguiçosos fogem desse esforço e preferem manter sua comodidade incopetente.
  8. A impaciência (para alcançar a gratificação imediata). Vivemos numa era de imediatismo, porem, sem uma visão de longo prazo, é impossível manter a motivação necessária para adquirir conhecimento. Encontre uma visão de longo prazo prazerosa, fixe-se nela, escreva, faça uma tatuagem na testa. Mas não tente perseguir o conhecimento sem uma visão de futuro . Simplesmente não da certo.
  9. A desconfiança (no instrutor ou em si mesmo). Quando não acreditamos em nós mesmos, na nossa capacidade de aprender, não conseguimos aprender nada. Precisamos operar em espaços de confiança e segurança para conseguirmos aprender. Li em um livro uma frase que nunca esqueci, “invista tudo aquilo que tem, e também aquilo que não tem, no seu desenvolvimento pessoal. Se você não investe em você, quem ira investir?”. Trabalhe na sua auto-estima e acredite em você mesmo.
  10. O desânimo e a confusão O desanimo e a confusão derivam do pensamento desconfiado, precisamos ter em nosso discurso, “não entendo o que esta acontecendo… e isso me entusiasma” e não irmos para esfera do medo.

O importante é sabermos como fazer as coisas, e não saber que. O saber é uma condição necessária para o sucesso, mas é também insuficiente para alcançarmos a efetividade. O verdadeiro aprendizado se dá quando conseguimos praticar aquilo que aprendemos. Saber como aprender é a mais importante tarefa do ser humano, aprender uma técnica nova é útil mas rapidamente se torna obsoleta, o mais importante, é sabermos como aprender novas disciplinas. Aprender a aprender.  Tornando-nos mestre em aprender, nos permitirá responder com efetividade a qualquer mudança.

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