monge observando

Quem sou eu

No grande romance escrito por Oscar Wilde, O retrato de Dorian Gray, o jovem envaidecido chega à conclusão de que “Definir é limitar”. Ha um bom tempo busco entender o mundo, o Ser e as pessoas, para ser mais específico, desde uma aula de filosofia que tive no segundo semestre da faculdade na qual tive a oportunidade de assistir ao filme “quem somos nós”. Daquele dia então, abismado com a capacidade dos elétrons de aparecem como ondas ou como partículas segundo a predisposição de quem faz o experimento, li, estudei, participei de seminários, meditei, fui a templos, igrejas, coache’s, tudo em busca do meu autoconhecimento e da resposta para as perguntas. Quem sou eu?  Quem somos Nós? Como funciona o universo?

Creio que hoje estou mais próximo de uma compreensão significativa, não da resposta, mas de algo que me faz sentir que estou próximo. Creio que Oscar Wilde foi pragmático com sua afirmação, acredito que a resposta está justamente aí. A verdadeira identidade é indescritível, não existe tal coisa como ‘’Eu sou isso’’, para buscar a verdade essencial devemos parar de tentar nos definir e nos aceitar como meros observadores do grande espetáculo da vida. Fredy Kofman diz em seu livro Metamanagement que as identificações são mapas, modelos construídos com base em simplificações, omissões e generalizações subconscientes. Elas nunca poderão capturar a riqueza da potencialidade humana. Como todo mapa, podem ajudar a navegar pela vida, mas também podem se transformar numa tremenda limitação para o aprendizado e o crescimento.

Assim como Stefanno D’anna afirma em seu livro “O mundo é uma goma de mascar, assume a forma de seus dentes”, Quem somos nós mostra cientificamente como o mundo pode ser maleável segundo nossos pensamentos e O Segredo na sua forma Holywoodiana mostra o poder do pensamento. Não acredito que podemos trazer uma Ferrari para nossa garagem com o simples pensar, o que acredito é que o SER vem antes do TER, que antes de Termos algo no mundo material devemos ter a predisposição de nos tornarmos, assumirmos os modelos mentais, os pensamentos, os valores e a visão adequada ao nosso sonho, só então, por meio de um longo caminho de FAZER (possível apenas para aqueles que já são), o TER se torna conseqüência, a questão é, se quer ser um monge um dia, SEJA um monge hoje, se quer ter uma Ferrari SEJA o cara que tem a Ferrari HOJE, se quer ser o presidente do Brasil, SEJA apartir de hoje, o presidente do Brasil, assuma a forma, as idéias, os pensamentos e as atitudes de tal personagem, mas o principal de tudo NÃO SE IDENTIFIQUE, não se prenda a esse personagem, oberve-se de fora e tenha a noção de que isso é apenas uma parte do seu ser, apenas uma escolha, um personagem dos milhões possíveis da sua natureza humana. Seu ser é indescritível.

De todos os caminhos possíveis para a descoberta do ser, tenho a impressão de que um é essencial. A auto-estima, não conseguimos avançar no autoconhecimento sem amor próprio. Creio que a frase que todos deveriam pendurar em suas paredes seja “O propósito da vida é fazer dela uma obra de arte” mas como manter a auto-estima em um mundo tão conturbado? Como nos amarmos incondicionalmente com todo o exterior enfiando em nossas cabeças estereótipos, objetivos, teres e não teres e todo esse lixo psicológico que recebemos diariamente? Branden nos passa seis “pilares” da auto-estima que nos ajudam a nos mantermos seguros mediante tudo isso, para ele a auto-estima é um processo, uma série de condutas virtuosas que nos levam a chegar La, eis os pilares:

  1. Consciência: prestar atenção ao que acontece, ao que se experimenta e faz, sem esquecer o contexto no qual surgem os sucessos, as experiências e as ações.
  2. Aceitação: reconhecer os próprios pensamentos, emoções e ações, sem evasões nem repúdios.
  3. Responsabilidade: compreender que se é o autor das próprias escolhas e ações e que se é responsável pela própria vida e bem-estar
  4. Assertividade: ser autentico no trato com os outros, negando-se a ocultar o que se é (ou avalia ser)
  5. Propósito: identificar objetivos de curto e longo prazo e as ações necessárias para obte-los. Supervisionar as ações para se manter na rota.
  6. Integridade: viver em congruência com aquilo que se sabe e professa. (teoria esposada e teoria em uso, ou seja, aquilo que digo ser, e aquilo que efetivamente faço).

Além disso, acredito que existe um nível ainda mais profundo para fortalecermos nosso EU, é o caminho do desenvolvimento da alma, do espírito, a infra-estrutura mais profunda da humanidade. Esse nível é totalmente independente daquilo que a pessoa obtém, totalmente dependente daquilo que a pessoa faz, é o nível do ser onde não há nada a conseguir nem nada a perder, nada a provar nem nada que esteja a prova. Esse é o nível da essência do ser humano, conquistado por rigorosa disciplina, meditação, contemplação e reflexão. Mas esse é assunto para outro dia.

Abraços

*Imagem do blog do Gil Giardelli.

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