Por que eu pedi demissão em meio a crise!

Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life. Don’t be trapped by dogma – which is living with the results of other people’s thinking. Don’t let the noise of others’ opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition.

Steve Jobs

Era um dia ensolarado e eu podia ver de longe no horizonte dezenas de lanchas e esportistas praticando Wind Surf, no glamoroso Lago Paranoá em Brasília. Atrás de mim pessoas conversavam. Sons de dezenas de técnicos e gestores digitando, em suas tecnológicas estações de trabalho com 3 monitores. Logo ao meu lado, estava meu diretor, um profissional de ponta com mais de vinte anos de experiência e que gerenciava toda a equipe responsável por uma Diretoria na empresa de tecnologia em que eu trabalhava.

Eu tinha 27 anos e estava prestes a completar 4 anos de empresa. Neste dia, estávamos comemorando uma conquista minha, a obtenção da conceituada certificação em gerenciamento de projetos, o PMP. Esse marco era o que faltava para eu conseguir dar o próximo passo e me tornar um gerente de projetos em uma empresa nacional, e eu tinha conseguido!

Eu estava muito feliz, tinha dedicado os últimos 4 meses da minha vida a estudar diariamente os difíceis conceitos e os mais de 47 processos envolvidos nas boas práticas de gerenciamento de projetos. Eu vinha almejando estar apto a um cargo deste calibre por anos, primeiro me esforçando o máximo que pude durante a universidade, desenvolvendo projetos, pesquisas e lendo a maior quantidade de livros sobre negócios que eu encontrava na minha frente. Depois trabalhando com consultorias para grandes empresas, onde eu atuava com professores da faculdade no desenvolvimento de planos estratégicos, seguido de uma série de estágios em multinacionais e órgãos como o SEBRAE.

Depois de formado, nunca parei de seguir em busca deste plano. Me tornei Coach Ontológico, trabalhei em diversas funções como marketing, finanças e projetos. Me formei na prestigiada instituição de ensino FGV onde obtive o diploma de MBA em Gestão Estratégica.

Durante uma dessas consultorias, lembro que o presidente de uma grande empresa me falou, que se eu continuasse assim, em breve eu poderia estar na mesma posição que ele, como CEO de uma grande organização. E nesse dia, ali estava eu, a um passo de chegar ainda mais perto do meu objetivo.

No entanto, a verdade era outra. Eu detestava passar horas e horas na frente de um computador, trabalhando em projetos dos quais eu tinha pouco ou nenhum controle e seguindo uma visão de negócio da qual eu não me interessava. O que eu realmente sempre quis ser foi jogador profissional de jogos online. Mas é claro que isso seria inaceitável, não existe uma carreira nisso no Brasil e eu jamais conseguiria ter renda suficiente e formar uma família jogando jogos online.

Então eu larguei mão deste sonho e passei a usar minha capacidade de planejamento, paixão por desafios e tomada de decisão que eu tinha nos jogos, para desenvolver negócios. Afinal de contas, eu precisava ser prático e realista. Ter um bom emprego. Trabalhar das 09h ás 18h. Guardar dinheiro para minha aposentadoria. Etc. Se eu fizesse isso tudo, um dia eu seria bem-sucedido.

E eu estava começando e me tornar bem sucedido. Foi maravilhosa a sensação de conseguir uma certificação de peso e a possibilidade de um cargo de prestígio. Meus colegas de trabalho admiravam minha conquista e meus diretores me viam como uma grande promessa. Eu havia feito tudo o que tinham pedido para mim. Agora estava na hora de colher os resultados. Chegou a hora!

Mas dentro de mim algo estava errado. Ao olhar ao redor e ver mais de 30 pessoas em frente de suas maquinas, com semblantes de cansaço e tédio, reclamações quanto a perspectivas, bônus, transparência e ausência de uma paixão pelo negócio, eu me dei conta de duas coisas: A primeira, é a de que eu havia dado mais um passo e estava próximo de conquistar o espaço pelo qual eu havia tanto batalhado e a segunda, a dolorosa percepção de que eu estava no caminho totalmente errado.

Eu de fato não gostava do que estava fazendo. Eu me via sentar diariamente em minha estação de trabalho, encarando meus 3 monitores chiques, e contando os minutos até que eu pudesse sair dali! Eu me sentia preso e fadado a uma vida controlada pelo ponto eletrônico e por decisões de pessoas das quais eu jamais tomaria se quer um café junto. Me dava falta de ar pensar que eles seriam os responsáveis por decidir quando eu poderia casar, trocar de carro, fazer aquela viagem dos sonhos ou até mesmo quando eu poderia de fato assumir o cargo pelo qual eu tanto lutei.

Então, alguns meses depois, eu pedi demissão.

Quando eu decidi abrir a uMaster e seguir o meu caminho, não foi porque eu acho errado ou desvalorizo as pessoas que optam por trabalhar 8h por dia. Mas eu pensei, e ainda penso, que é totalmente errado trabalhar em algo pelo qual não temos paixão, apenas por que é o que o mundo diz que você precisa fazer ou por puro comodismo.

Ainda assim, a maioria faz isso. Em uma pesquisa realizada pela Gallup nos EUA, verificaram que cerca de 70% dos entrevistados disseram estar insatisfeitos com seus trabalhos. Ora, se passamos a maior parte de nossas vidas trabalhando, passar esse período em uma empresa pela qual não temos paixão, significa viver uma vida sem paixão.

Não me entendam mal, eu sei que em países como o Brasil, muitas pessoas precisam trabalhar em empresas que elas não gostam, fazendo trabalhos que elas não gostam, para conseguirem pagar as contas no final do mês.

Mas existe uma diferença enorme entre aceitar as dificuldades da vida e em cegamente aceitar que esta é uma verdade absoluta e que a sua vida precisa ser daquele jeito.

É estranho ver que todos nós nascemos curiosos, fortes, aprendemos a nos adaptar e nos desafiar, mas, no entanto, quando nos formamos ou crescemos, boa parte de nós passa a desacelerar chegando a pontos de estagnação e muitas vezes longe de onde sempre sonhamos chegar. Meu grande amigo, professor e coach Homero Reis costumava me perguntar: A criança que você foi, se orgulharia do adulto que você se tornou?

E se a vida não for feita para ter segurança, mas sim ser uma extraordinária jornada de altos e baixos de onde seguimos nosso caminho, aprendendo e evoluindo como pessoa?

E se nós pudéssemos aceitar que as coisas simplesmente podem dar errado, e de que não há nada de ruim nisso? No meu ponto de vista, a segurança é super valorizada. As vezes vou a biblioteca estudar e me concentrar em meus projetos, e vejo centenas de pessoas desesperadamente lutando para conseguir passar em um concurso público, tudo pela tão prometida segurança. Se você parar para pensar, a segurança nos traz muito mais riscos ao viver uma vida em conformismo, dentro dos limites impostos por ela, do que aceitar os riscos e viver em busca do seu maior potencial, em ser o seu melhor eu.

Em 2010 (eu acho) eu estive em São Paulo, ainda como estagiário do SEBRAE, para participar de um evento sobre internet e inovação. Ao final das palestras, minha chefe foi convidada a ir a casa de um dos palestrantes, com alguns amigos dele, para uma noite de whisky e conversas, eu pude ir junto. Chegando lá, em uma cobertura individual da qual podíamos ver o incrível mar de prédios de São Paulo, tive a oportunidade de conhecer incríveis empresários que estavam ditando as regras do mercado. Eles tinham uma visão completamente diferente das coisas. Um otimismo sobre a economia brasileira, a visão de criar empresas de real sucesso onde as pessoas pudessem trabalhar em busca de seus sonhos, de um proposito maior que o dinheiro, e gerar um real impacto no mundo. Nesse momento eu percebi que sim, isso era possível.

Em certo momento, eu perguntei a um dos empresários que ali estavam, como ele conseguiu chegar até ali. Neste momento ele abriu um sorriso e me disse: Siga os seus sonhos, não se importe com as regras que o mundo impõe, e tenha uma alta tolerância a dor, neste caminho você vai cair muitas vezes, mas a recompensa é maior do que qualquer outra coisa que você possa ter.

E esta é a trilha que eu decidi trilhar. A uMaster nasceu de um sonho meu, de reunir pessoas que queiram entrar nessa jornada e criar empresas de sucesso. Empresas que se importam com o futuro, que se importam com as pessoas, com o meio ambiente e em desenvolver produtos e serviços que de fato tornem um mundo melhor. Atualmente desenvolvemos uma metodologia única que contempla reuniões de negócio estruturadas, workshops, consultorias e coaching. Tenho certeza que estamos gerando um impacto na vida de nossos clientes e no mundo. Sei que provavelmente vou errar, cair e me machucar. Mas sei também que quando isso acontecer, vou olhar e pensar: Putz, isso é uma merda! mal posso esperar para ver o que posso aprender com isso.

PS. Este meu blog pessoal está um pouco desatualizado por que tenho alimentado minhas publicações no blog da própria umaster, caso tenham interesse, basta acessar aqui.

3 comentários sobre “Por que eu pedi demissão em meio a crise!

  1. Parabéns pela ousadia em tempos tão difíceis!
    Aplausos pela sua atitude e determinação pelo sucesso profissional! Bastante inspirador e desafiador, coisas que realmente precisamos colocar em prática em nossas vidas! Boa sorte nessa nova empreitada!!!

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